
O câncer colorretal, tradicionalmente associado a pessoas acima dos 50 anos, tem avançado de forma preocupante entre adultos mais jovens. Nos Estados Unidos já é a neoplasia que mais mata abaixo dos 50 anos. Segundo a Sociedade Americana do Câncer mais de 158 mil novos casos devem ser diagnosticados neste ano no país. Considerando todas as idades é a segunda principal causa de morte por câncer, atrás apenas do câncer de pulmão.
Para a Dra. Carine Mauro, oncologista clínica do Hospital de Câncer de Catanduva/HCC, o crescimento entre jovens está diretamente ligado ao estilo de vida. “Temos observado mais diagnósticos em pessoas abaixo dos 50 anos, muitas vezes associadas à obesidade, sedentarismo, alimentação rica em carnes processadas e ultraprocessados, além do consumo de álcool e tabagismo. Esses fatores aumentam o risco em qualquer idade”, afirma. No Brasil, o tumor de cólon e reto é o terceiro tipo mais comum, com estimativa de 45.630 novos casos por ano. A mortalidade cresceu quase 50% nas últimas duas décadas e estudo da Fundação do Câncer aponta que mais de 60% dos casos são diagnosticados tardiamente. A projeção é de aumento de 36% nas mortes até 2040.
Ainda segundo a oncologista, os sintomas precisam ser levados a sério, independentemente da faixa etária. “Sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal — como diarreia ou constipação por vários dias, fezes mais finas, dor abdominal frequente, perda de peso sem causa aparente e anemia detectada em exames são sinais de alerta. O jovem costuma achar que não é nada grave e adia a consulta e isso pode atrasar o diagnóstico. Quando o câncer é detectado precocemente, as taxas de sobrevivência em cinco anos podem chegar a 80% ou 90%. Muitas vezes é possível remover pólipos antes mesmo de se tornarem tumores invasivos. Já em fases avançadas, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia a depender do estadiamento e as taxas de sobrevivência caem significativamente”.

As diretrizes médicas recomendam que adultos com risco médio iniciem os exames preventivos aos 45 anos. Pessoas com fatores de risco devem discutir com o médico a possibilidade de começar antes. Entre as opções de rastreamento estão testes anuais de fezes e colonoscopia a cada 10 anos — quando não há alterações. Para quem tem histórico familiar ou doenças hereditárias, o acompanhamento costuma ser mais precoce e frequente.
Dra. Carine Mauro também reforça que a prevenção começa com mudanças no estilo de vida, antes mesmo da realização dos exames. “Manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de carnes processadas e alimentos ultraprocessados, aumentar a ingestão de fibras, frutas e verduras, além de evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool são medidas fundamentais. A principal mensagem é clara: Não existe idade ‘protegida’ contra o câncer colorretal. Informação, atenção aos sintomas e adesão aos exames preventivos são as melhores estratégias para reduzir mortes e evitar diagnósticos tardios”, ressalta.
Foto: Divulgação FPA/PEXELS
